Saturday, July 9, 2011

Aforismos

"War is young men dying and old men talking."

"Remember, shadows stays in front or behind. Never on top." - M (James Bond)

"If you are good at something never do it for free." - Joker (Batman)

"O grande segredo das grandes mulheres é saberem viver intensamente cada uma das suas idades."

“As vezes em que estamos perdidos, não sabendo o que fazer, o único erro é não fazer nada.”

"A melhor homenagem à beleza é o silêncio." - Menotti

"All that is necessary fo evil to prevail is for good men to do nothing." - E. Burke

"Não preciso de conselhos. Sei errar sozinho." - Oscar Wilde

"O último degrau da sabedoria é a simplicidade." - Confúcio

"A esperança é um bom almoço mas um mau jantar." - Francis Bacon

Wednesday, June 29, 2011

Ócio VS Economia?


Ultimamente tenho notado que está na moda associar as férias a um dos factores que conduziram ou contribuíram para a crise económica global que vivemos.
Detesto empregar vocabulário do politiquês mas, isto sim, é demagogia e populismo. Desde quando isto é verdade?
Vejamos…


Oiço nas notícias que o novo governo português quer reduzir o número de feriados e de pontes para aumentar a produtividade dos trabalhadores portugueses. Ora, logo em Portugal? Um dos países em que este argumento menos sentido tem? Francamente… é literalmente morder a mão que os alimenta.
O ócio é o espaço reservado ao repouso e ao lazer. É o período em que as pessoas se dedicam a fazer o que lhes dá prazer e vontade. E o que é, geralmente, isso? Passear, viajar, ir ao teatro, compras, cinema, restaurantes, ler. Hum… mas, isso não move dinheiro? Ah, afinal sim! O turismo não é alimentado pelo ócio, afinal? Ah, sim!
Ponham as pessoas a trabalhar 20 horas por dia, sete dias por semana e verão a brilhante produtividade que irão obter ao fim de um ano. Ponham outra a trabalhar 6 horas por dia, durante cinco dias por semana e verão a produtividade dessa ao fim de um ano. Sabem que mais? A segunda terá uma produção menor, mas uma produtividade maior. Porque terá uma melhor relação “tempo dispendido vs objectivos alcançados”. Para a economia recuperar não é preciso trabalhar mais, mas sim fazê-lo melhor. E descansar é preciso e ainda por cima gera valor para alimentar a cadeia económica. Cria emprego, cria circulação de dinheiro e faz com que as pessoas tenham vontade de gastar.

O turismo é sempre apontado como uma das economias sobre as quais o futuro deverá girar. Mas é, ao mesmo tempo, fácil dizer que é dispensável porque parece cool e dá uma máscara de trabalhador a quem diz que cria improdutividade. Senhores, matem o turismo e matarão um dos eixos sobre os quais deveriam assentar o vosso futuro, garanto-vos!
Quando as pessoas querem uma ponte para ter um fim-de-semana longo querem viajar com as suas famílias. E o que fazem pela economia nesses períodos?
- Gastam dinheiro na viagem (quer seja em combustível, em passagens aéreas ou em aluguer de viaturas);
- Arrendam apartamentos ou quartos de hotel;
- como querem descansar e não cozinhar vão almoçar e jantar fora;
- compram recordações para a família;
- vão a bares e discotecas.
Tudo isto envolve dinheiro, não? Será que não alimenta a economia? Ah, pois é!

Se uma coisa a sociedade grega nos mostrou foi a utilidade e necessidade do ócio para o bem-estar dos cidadãos. O ócio faz bem às pessoas e à economia. Pessoas felizes e descansadas são melhores e maiores consumidores (quantidade e qualidade).
Produção maior não significa produtividade maior. Qualquer gestor tem obrigação de saber diferenciar estes conceitos. Quantidade não deve ser confundida com qualidade.

Não se deve matar a galinha que mais ovos nos dá…

Nesta “Guerra Santa” em nome da economia só me apraz terminar este artigo com uma citação de Milhôr Fernandes que dizia que:

“Numa Guerra Santa, Deus morre primeiro.”

Carlos Osvaldo

Monday, June 27, 2011

A verdade que tem que ser verdade.



Façamos um exercício de imaginação. Estamos na América do tempo dos cowboys e somos o xerife de uma das cidades mais importantes do país.
Um belo dia a nossa cidade é atacada. Saqueada, as mulheres violadas e os monumentos mais sagrados destruídos. O nosso inimigo consegue fugir. Todos sabemos quem é, mas ninguém sabe para onde foi.
Como xerifes somos, naturalmente, designados pelo mayor para abandonar tudo o que nos ocupava até essa altura. A missão, de agora em diante passa por capturar o inimigo, vivo ou morto.
E assim partimos... mochila às costas e montados no nosso cavalo.
Passam-se dias, semanas, meses, anos (1, 2, 3...). Sabemos que não podemos regressar à nossa cidade sem a missão cumprida. Esta é uma daquelas situações em que o tempo não adormece a memória das ferida abertas que ainda sangram.
Um belo dia descobrimos o inimigo. Morto. não sabemos se foi envenenado ou morreu de doença, ou ainda de causa natural. Mas está morto. Estamos perante o seu corpo.

Voltando para casa vamos de imediato reunir-nos com o mayor.
- Então, xerife, o nosso inimigo?
- Morto.
- Ah, bem sabia que não nos irias desiludir. Parabéns!
- Eu não o matei. Apanhei-o já morto.
- Sabes quem o matou? Ou como morreu?
- Não faço ideia. Mas está morto, disso tenho a certeza. Eu mesmo enterrei o seu corpo.
- Hum, pelo menos a ameaça acabaou. Podemos dar paz aos nossos cidadãos.
- É verdade. Acabou.
- Mas há um pormenor que faz toda a diferença; não foste tu que o mataste. Não fomos nós que eliminámos o inimigo. Isso faz toda a diferença para o nosso povo, em matéria de consolo e tranquilidade. Saber que foi um terceiro ou alguma doença ou a velhice que o mataram faz com que ele tenha morrido sem ser derrotado por nós. Não podemos deixá-lo morrer vencedor.
- O que sugere mayor?
- Vamos dizer que tu o mataste. Só assim o nosso povo terá confiança, paz e recuperará o orgulho perdido. Só assim saberão que quando nos propomos a algo cumprimos.
- Quer vender uma ilusão?
- Quero dar ao meu povo o que ele precisa.
- Mesmo que não seja a verdade?
- A verdade é aquilo em que a maioria acredita.

Somos apresentados como heróis. Homenageados e venerados. O segredo é engolido entre nós e o mayor. A verdade tem que ser verdade. O nosso povo precisa disso. Morremos por dentro. Vergonha, frustração. Sentimo-nos uma farsa. Mas é um fardo que temos que carregar para não quebrar ilusões que constroem uma nação.

Osama Bin Laden morreu. Facto. Se não fosse verdade não se correria este risco de poderem ser desmentidos. Mesmo que esteja em cativeiro em posse dos EUA é o mesmo que estar morto pois deixa de existir como símbolo.
Imaginem que Barack Obama tivesse anunciado que Osama Bin Laden fora encontrado morto. O trauma americano continuaria. Bin Laden morreria vencedor. Por isso deixa de ser relevante saber como aconteceu ou como morreu. A notícia deveria ser a sua morte. A verdade nem sempre deve ser usada no que diz respeito ao marketing e relações públicas. Obama não poderia anunciar ao seu país qualquer verdade. A notícia, para os americanos não era a sua morte, mas sim a vitória simbólica da América sobre o terrorista. Há momentos em que a obrigação fala mais alto que a vontade ou mesmo a realidade. Há coisas que devem ser feitas, mesmo que não sejam as mais belas ou simpáticas. Gerir um país obriga a pensar pelos olhos do povo. A sentir o que o povo sentirá com o que se vai anunciar.
Obama morreu. A notícia mais esperada pouco importa afinal. Os EUA mataram Bin Laden. “We got him!”. Essa foi a notícia percebida pelo povo Americano.
A História é feita destes episódios.
Obama morreu. Facto. Ponto final, parágrafo. Surdina? Rumores? Boatos? Suposições? Eu digo, distracções.

Carlos Osvaldo
Junho 2011

Tuesday, May 17, 2011

Como aprender a desamar



Costuma dizer-se que o amor é o principal motor das artes e dos grandes feitos dos homens, desde guerras a descobertas e conquistas.
Pois bem, tenho cá para mim que o desamor joga um papel tanto ou mais importante. Desamor é o deixar de amar. E, por mais doloroso ou penoso que possa ser, muitas das vezes, não deixa de ser importante e, como tal, decidi-me a escrever umas palavras dedicadas a este capítulo das nossas vidas. Sem mais demoras, como, então, aprender a desamar…

1- Toda a perda importante necessita de um luto.
Tenham sempre isto bem presente. A morte, seja ela em que forma for e de quem ou do que for, necessita de um período de luto. A tradição de as pessoas se vestirem de preto após falecimento de alguém importante pretende mostrar de forma simbólica a toda a gente que se está a passar por um período de dor e perda. É um daqueles actos simbólicos que faz mais sentido quando entendemos a razão da sua existência. Para os falecimentos não existe este gesto simbólico do luto, mas existe um luto interior e pessoal que, não sendo exteriorizável não deixa de ser presente. Assim, quando uma relação acaba e sentes dor, não deves estranhá-la ou repudiá-la. Deves aceitá-la e compreendê-la como natural. Sabe que, tal como ela veio, há-de passar. Se vai demorar mais ou menos dependerá de como te vais comportar.

2- “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”
Vai doer. Desamar dói. Não há como não doer. Não negues a dor mas não te entregues a ela. A doer acaba sendo viciante quando te entregas a ela. Não faças rituais de sofrimento, como ouvir aquela música que te lembra da pessoa ou reviver fotos e vídeos de vocês os dois. Isso só fará com que entres numa espiral negativa.
Para combater a dor é preciso ter coragem. Coragem de reagir e de recuperar. Sem pressa mas sem pausa.
Dor é um momento. Sofrimento é uma fase. Dor não depende de ti. Sofrimento sim.

3- Não te isoles…
“Quando a melancolia da noite e sua solidão nos prendem, pensar nos nossos amigos enche-nos o peito de uma felicidade luminosa.”
Na vida, por vezes, nada melhor que substituir preocupações por ocupações.
Chama os teus amigos e as pessoas que gostam de ti e te fazem bem. Não queiras ficar sozinho, por muito que te pareça melhor ou mais fácil. Os teus amigos e família são os que te conhecem melhor e te vão servir de muleta para recuperar pouco a pouco da queda emocional da perda.


4- “Forgive but don’t forget.”
Perdoar. Esquecer. Duas palavras bem diferentes. Perdoa, mas não esqueças.
Perdoar passa por aceitar e assimilar o que se passou. Por um processo de digestão emocional e um virar de página que deve ser feito sem que a página seja rasgada. Esquecer alguém que amaste não é possível; pelo menos não logo após a sua perda. Pode até haver a ilusão, mas será tão falsa como dolorosa porque a presença da tal pessoa voltará quando menos esperares e estiveres preparado.
A forma correcta é tornares a lembrança da pessoa nisso mesmo. Numa lembrança. Passar para o passado. Aceitar que acabou e, na altura própria, deves virar a página e ver a pessoa como memória e não como ferida. Não esqueças nunca do que te acontece de importante. É daí que se cresce e se aprende.
Perdoa-te a ti. Perdoa-te ao outro. Como precisares. Como te fizer bem…

5- Não te dês prazos.
Tem presente que os sentimentos não se medem em tempo, mas em intensidade.
No que diz respeito a sentimentos não importam dias, minutos ou horas. Cada pessoa tem o seu ritmo e a sua forma de digerir.
Segue o teu ritmo. Caminhando sempre. Sem parar. Mas sem precisar correr. O que importa é que os passos sejam sólidos e no sentido certo.

6- O caminho faz-se caminhando…
“Quando se esta perdido e sem saber para onde ir, o pior erro é não fazer nada.”
Caminha. Não tenhas medo de dar passos. Recupera. Luta. Reage. Não te entregues à depressão. Não montes grandes projectos de recuperação. Dá um passo de cada vez. Mas dá o tal passo!
Mesmo que depois vejas que foi um passo errado acredita. Pior seria não ter dado nenhum passo.

7- Não procures sósias
Não procures sósias. Não existem substitutos para a pessoa que perdeste. Não procures vinganças. Não te envolvas com alguém para provocar ciúme ou arrependimento na pessoa que perdeste. Só te sentirás mal por magoares uma pessoa nova e te magoares a ti próprio.
Cada pessoa é uma única. Não existe uma fórmula de substituição ou troca directa.

8- Na teoria é fácil…?
“Não há nada mais prático do que uma boa teoria.”
Quando desamamos tendemos a perder a noção da razão e do sentido das coisas. Mesmo daquelas que já sabemos ou sabíamos. É como se fosse um processo amnésico. Paralisa a nossa mente e ficamos imersos num marasmo.
É aí que os amigos, família e boas teorias entram… para te lembrar de qual o caminho correcto.


9- Ama-te a ti mesmo!
“Amar-se a si próprio é o princípio de um romance que dura a vida inteira.”
A base de toda a recuperação deve ser o amor próprio. Se já o tens agarra-te a ele. Se não o tens resgata-o.
Só estando bem contigo podes estar bem e fazer bem aos outros.
Só o amor próprio te irá garantir sustentabilidade e solidez em momentos de perdição.
Tu sozinho deves ser suficiente. 1 inteiro. Um casal deve ser dois que se procuram e desejam e não um só. Não deves ficar a metade quando perdes o amado. Deves ser um, ainda. Triste e magoado mas um. Ama-te! Aceita-te! Perdoa-te!

10- Não penses que nunca mais vais querer amar…
Vais pensar. Por muito que te diga para não pensar. Mas vais amar sim. Quando passar irás voltar a amar. Porque é essa a nossa natureza. E porque amar faz bem. E desamar é como um processo de purificação e libertação que te prepara para próximas batalhas amorosas. Desamar é o passo de ligação necessário entre um amor e o outro.

Carlos Osvaldo
Maio 2011

Friday, March 11, 2011

Dedicatória…

Amor à primeira vista,
Por mais paradoxal que possa parecer, o amor à primeira vista pode fazer muito mais “sentido” que o amor que surge com o tempo, em termos de solidez e consistência (não confundir com durabilidade, atenção!).
Conheci-te num ápice. Apaixonámo-nos mais depressa ainda. Ambos sentimos esse instinto de que tínhamos encontrado o que estávamos à procura. Estranho, louco até, talvez, mas não poderia ser mais acertado. Entregámo-nos à tentação e tocámos o paraíso.
Despedimo-nos com aquele sabor irresistível de… “hum… quero mais!”
E eu quero mais, de facto. Quero mais e melhor. Quero apostar em ti. Esquecer os preconceitos de quem pode ver em nós um casal rápido e confundir com despachado. Quero lutar por ti. Por nós. Quero dar sentido e bases a um momento ocasional e quiçá “escrito” algures nas estrelas e desejo que tenhamos a sabedoria de pegar num início promissor e mágico e dar-lhe formas de uma relação que cresça de forma madura e bonita.



Gosto da forma como és intensa, admiro a forma como és verdadeira no que sentes e queres. Como sabes correr atrás daquilo que procuras e desejas. És uma mulher com uma menina por dentro e quero cuidar de ambas. Quero incluir-te num projecto de eu em que estou a caminhar. Quero ter-te por perto e estruturar uma vida a dois a teu lado.
Quero-te para minha companheira. Quero ser o teu melhor amigo.
Que a nossa relação mude… que saiba desenvolver e crescer… mas que continuemos a saber ser felizes juntos e a partilhar e respeitar a pessoa que temos um no outro.

Dedicatória…

Carlos Osvaldo

Sunday, February 27, 2011

Ronaldo- O fim de um fenómeno. Princípio de um mito.



Ronaldo Luiz Nazário de Lima anunciou o final da sua carreira como jogador de futebol profissional no passado dia 14 de Fevereiro de 2011.
Tive, de imediato, um impulso para escrever este artigo em sua homenagem, mas resolvi esperar um pouco. Deixar que as emoções acalmassem um pouco e fazer um balanço sobre o que significou para… o futebol? Não! Para mim, ao longo desta década e meia desde que me conquistou em 1996.
Um artigo como este será sempre pessoal. Tento apenas que não seja masturbatório, pois isso seria um prazer individual.

Ronaldo começou a jogar profissionalmente no Cruzeiro de Belo Horizonte com 16 anos. No ano de estreia fez uma época absolutamente arrasadora com destaque a um jogo em que marcou 5 golos. A estreia na selecção brasileira já se adivinhava. 17 anos.



De seguida é contratado pelo PSV Eindhoven. Forma com Luc Nilis uma dupla das melhores que teve na sua carreira. Cresceu a nível físico e tornou-se um homem nesse ano em que viveu o seu ano de estreia na Europa. Carlos Alberto Parreira decide-se a levá-lo para o Mundial de 1994 nos EUA. Não havia argumentos para o deixar de fora. No mundial em que o ataque brasileiro era composto pela dupla Bebeto- Romário, o Brasil é campeão frente à Itália do grande Roberto Baggio (outro dos meus heróis futebolísticos). Ronaldo não chega a disputar qualquer minuto na prova (para não quebrar o recorde do Rei Péle) mas sagra-se campeão do mundo.





PSV já era demasiado pequeno para segurar este jogador que ameaçava ser a maior sensação desde Maradona. Quando o Barcelona o contrata, na temporada 1996/1997, chega como uma promessa exótica. Era a equipa do Bobby Robson, e Barcelona vivia o trauma pós dream team de Cruyiff. Nessa equipa do Barcelona estavam jogadores como: Figo, Guardiola, De la Peña, Stoichkov, Luis Enrique, Giovanni, Popescu, entre outros. Aquela época fica para a história da sua carreira.



Eu acompanho as últimas duas décadas do futebol e posso afirmar que não houve neste período nenhum jogador que fizesse uma época como aquela. Nunca vi algo igual, nem antes nem depois. Esse é o meu Ronaldo. O melhor jogador que eu alguma vez vi actuar. 47 golos em 49 jogos! Ganhou Taça das Taças, Taça do Rei e Supertaça Espanhola. Todos os títulos em disputa menos a Liga Espanhola.
Fácil é recordar o golo frente ao Compostela, ou os golos frente ao Valência. Eu gravo uma imagem romântica de uma jogada fabulosa, daquelas arrancadas que fazia em que, já na área, sofre uma falta de um dos defesas e, com aquela vontade inocente de jogar futebol, insiste em não cair, em não desistir da sua jogada; do golo que tinha na sua mente. Acabou falhando. Bobby Robson levanta-se do banco, desesperado. Queria que tivesse caído. Mas aquele era o Ronaldo mais puro! Falhou e sorriu… era apenas um jogo!

Depois vieram os prémios e a incapacidade do Barcelona para o segurar. O Inter de Milão foi o seu destino. E aí começaram as lesões. Aí começou a carreira de outro Ronaldo. Como Luís Freitas Lobo escreveu, e bem, depois de disputar um lugar entre os melhores da história, passou a disputar um lugar entre os melhores da sua geração. Milão só trouxe sofrimento a Ronaldo, tanto no Inter como no AC Milan, depois. Foi a sua cidade maldita!




Pelo meio houve o milagre do campeonato do mundo de 1998 em que uma mal explicada “convulsão” impediu que jogasse ao seu melhor nível na final. Zidane e a sua França saíram vencedores por claros 3-0. Em 2002, depois de milagrosamente recuperado de uma lesão ao joelho, marcou 8 golos na prova, sagrando-se melhor marcador e campeão do mundo frente à Alemanha. Em 2006 ainda apareceu para gravar o seu nome para a história como o melhor marcador de sempre dos campeonatos do mundo, batendo o recorde de Just Fontaine que marcara 13 golos numa só edição. Ronaldo tem 14 em mundiais.



A passagem pelo Real Madrid dos galácticos foi uma aventura que começou colorida e acabou sorridente. Ronaldo jogava num ataque de outro mundo com Raúl, Roberto Carlos, Figo, Zidane e Beckham! Essa equipa inspirada era um espectáculo irresistível, mesmo para um adepto do Barcelona, como eu sou.



O retiro em Corinthians ainda lhe deu para ganhar o campeonato paulista e a Taça do Brasil. Ainda deixou apontamentos de classe.



Mas… o seu corpo venceu! As lesões e o peso acabaram com a sua carreira. A sua “primeira morte”, como descreveu.

Mas Ronaldo, por mais mortes que tenha será sempre imortal. Fica gravado como um dos melhores de sempre. Para mim, o melhor avançado que vi jogar (em Barcelona) e um dos meus pontas de lança preferidos.



No auge, era um jogador em puro estado de genialidade. Tinha força, técnica, velocidade e potência, frieza frente à baliza, noção de espectáculo, jogava com ambas as pernas e tudo isso com um sorriso de menino. Celebrando em Barcelona com os braços abertos- toda uma imagem de marca.
Quando brilha em Barcelona o futebol estava precisando de brilho e cor. Foi este o redespertar dos grandes tempos. A Liga Espanhola voltou a ganhar alegria. O Barcelona também e o grande Madrid da altura, com um ataque de Raúl, Suker e Mijatovic, contando com Roberto Carlos, Seedorf, Redondo, Hierro e Capello como treinador teve que se manter sempre por alto. Foi depois dele que o futebol voltou a ser feliz.

Como já celebrei noutro artigo, creio que hoje vivemos uma das eras mais felizes deste desporto e o seu início, pelo menos para mim, deve-se à explosão deste fenómeno. Um mito… um jogador que saltou dos relvados e foi alegre mesmo sofrendo. Cometeu erros e excessos. Não foi perfeito mas foi o mais próximo da perfeição que um jogador de futebol pode ser. Por pouco tempo? Claro! A perfeição, quando aparece, é como um lampejo. Breve e fugaz. Violenta e inesquecível.



Sei que vai continuar feliz. Tem o mundo a seus pés. Eu tenho as minhas memórias e os vídeos que guardarei religiosamente. Daqui a 40 anos ainda dele falarei aos meus filhos e quero poder mostrar esses vídeos de um menino que nos fez feliz com uma bola nos pés.

Carlos Osvaldo

Saturday, February 19, 2011

DESacordo Ortográfico

Que fique claro para todos os leitores deste blog que todos os textos aqui publicados se encontram ao abrigo do DESacordo Ortográfico.
Escrevo no português que aprendi em criança. É essa a língua com a qual me identifico. Recordo-me de quando comecei a pesquisar na internet materiais em língua portuguesa e me chamavam a atenção que os textos brasileiros tinham um português adaptado e incorrecto para o uso que eu deveria seguir. E eu, neste aspecto, serei teimoso e conservador até não mais poder. Talvez quando tenha filhos e tenha de os ensinar a ler e escrever neste brasilês tenha de re-aprender para poder ensinar. Mas, até lá, e enquanto depender de mim continuarei fiel à forma como entendo e sinto a língua.





Assim, continuarei a escrever:

Egipto, em vez de Egito;
De facto, em vez de de fato;
Direcção em vez de direcão;
Actor em vez de ator;
Pêlo (de pelugem) em vez de pelo;
E tantos outros casos….

Aliás, este acordo só me entristece pelo sintoma de facilitismo a que nos estamos a entregar cada vez de forma mais frequente. Não fui nunca dos que contestavam pelo facto dos brasileiros terem adoptado a língua portuguesa à sua realidade. Pelo contrário, acho que as línguas devem ajustar-se às realidades em que estão inseridas. Mas, daí a haver este acordo comum vai uma enorme diferença. Como puderam os portugueses ceder ou aceitar este acordo? Não há maior sinal de cultura que a língua de um povo, na minha opinião. E a língua que eu aprendi faz parte da pessoa que eu sou. E isso não muda por qualquer acordo que os “intelectuais” da minha língua.

Obrigado pela compreensão.

Carlos Osvaldo